"E se um dia ou uma noite um demônio se esgueirasse em tua mais solitária solidão e te dissesse: "Esta vida, assim como tu vives agora e como a viveste, terás de vivê-la ainda uma vez e ainda inúmeras vezes: e não haverá nela nada de novo, cada dor e cada prazer e cada pensamento e suspiro e tudo o que há de indivisivelmente pequeno e de grande em tua vida há de te retornar, e tudo na mesma ordem e sequência - e do mesmo modo esta aranha e este luar entre as árvores, e do mesmo modo este instante e eu próprio. A eterna ampulheta da existência será sempre virada outra vez - e tu com ela, poeirinha da poeira!". Não te lançarias ao chão e rangerias os dentes e amaldiçoarias o demônio que te falasses assim? Ou viveste alguma vez um instante descomunal, em que lhe responderías: "Tu és um deus e nunca ouvi nada mais divino!" Se esse pensamento adquirisse poder sobre ti, assim como tu és, ele te transformaria e talvez te triturasse: a pergunta diante de tudo e de cada coisa: "Quero isto ainda uma vez e inúmeras vezes?" pesaria como o mais pesado dos pesos sobre o teu agir! Ou, então, como terias de ficar de bem contigo e mesmo com a vida, para não desejar nada mais do que essa última, eterna confirmação e chancela?

Friedrich Nietzsche, "Eterno Retorno", A Gaia Ciência

sábado, 22 de janeiro de 2011

WHERE I'M FROM



MONTEMURO . FOTOGRAFIAS DE ISABEL CORREIA . MAIO DE 2010

quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

UM DOMINGO NO MINHOCÃO IV


ELEVADO COSTA E SILVA . SÃO PAULO . FOTOGRAFIA DE FILIPE DOS SANTOS BARROCAS . DEZEMBRO DE 2010

UM DOMINGO NO MINHOCÃO III


ELEVADO COSTA E SILVA . SÃO PAULO . FOTOGRAFIA DE FILIPE DOS SANTOS BARROCAS . DEZEMBRO DE 2010

UM DOMINGO NO MINHOÇÃO II


ELEVADO COSTA E SILVA . SÃO PAULO . FOTOGRAFIA DE FILIPE DOS SANTOS BARROCAS . DEZEMBRO DE 2010

UM DOMINGO NO MINHOCÃO I


ELEVADO COSTA E SILVA . SÃO PAULO . FOTOGRAFIA DE FILIPE DOS SANTOS BARROCAS . DEZEMBRO DE 2010

domingo, 9 de janeiro de 2011

VIAJAR II . FERNANDO PESSOA


PRAIA DE BOIPEBA . BAHIA . FOTOGRAFIA DE FILIPE DOS SANTOS BARROCAS . DEZEMBRO DE 2010
Viajar? Para viajar basta existir.
 
Viajar? Para viajar basta existir. Vou de dia para dia, como de estação para estação, no comboio do meu corpo, ou do meu destino, debruçado sobre as ruas e as praças, sobre os gestos e os rostos, sempre iguais e sempre diferentes, como, afinal, as paisagens são.
Se imagino, vejo. Que mais faço eu se viajo? Só a fraqueza extrema da imaginação justifica que se tenha que deslocar para sentir.

Livro do Desassossego por Bernardo Soares. Vol.II. Fernando Pessoa. (Recolha e transcrição dos textos de Maria Aliete Galhoz e Teresa Sobral Cunha. Prefácio e Organização de Jacinto do Prado Coelho.) Lisboa: Ática, 1982.