"E se um dia ou uma noite um demônio se esgueirasse em tua mais solitária solidão e te dissesse: "Esta vida, assim como tu vives agora e como a viveste, terás de vivê-la ainda uma vez e ainda inúmeras vezes: e não haverá nela nada de novo, cada dor e cada prazer e cada pensamento e suspiro e tudo o que há de indivisivelmente pequeno e de grande em tua vida há de te retornar, e tudo na mesma ordem e sequência - e do mesmo modo esta aranha e este luar entre as árvores, e do mesmo modo este instante e eu próprio. A eterna ampulheta da existência será sempre virada outra vez - e tu com ela, poeirinha da poeira!". Não te lançarias ao chão e rangerias os dentes e amaldiçoarias o demônio que te falasses assim? Ou viveste alguma vez um instante descomunal, em que lhe responderías: "Tu és um deus e nunca ouvi nada mais divino!" Se esse pensamento adquirisse poder sobre ti, assim como tu és, ele te transformaria e talvez te triturasse: a pergunta diante de tudo e de cada coisa: "Quero isto ainda uma vez e inúmeras vezes?" pesaria como o mais pesado dos pesos sobre o teu agir! Ou, então, como terias de ficar de bem contigo e mesmo com a vida, para não desejar nada mais do que essa última, eterna confirmação e chancela?

Friedrich Nietzsche, "Eterno Retorno", A Gaia Ciência

segunda-feira, 4 de julho de 2011

PROJECTO NUNES

NUNES NO ESTADÃO . SÃO PAULO . JUNHO 2011 . FOTOGRAFIAS DE FILIPE DOS SANTOS BARROCAS
“Como existir pessoalmente se não se pode fazê-lo sozinho?”     
Gilles Deleuze em A Imagem-tempo


Projeto NUNES é um projeto performático no sentido de que afirma uma relação direta com a vida enquanto age na vida.


Projeto NUNES põe a atitude cotidiana do corpo no prisma da performatividade, através do disfarce do grotesco e glorioso corpo do NUNES, a fim de fazer com que só a presença e não mais o corpo visível do performer permaneça.


Projeto NUNES imbui de subjetividade o objeto do corpo performático. NUNES, ao contrário de uma personagem, desenvolve-se a partir da teatralização direta das atitudes de mudança de seu corpo no cotidiano, independentemente de um papel pré-determinado.


Projeto NUNES busca pelo corpo, não mais por intermédio do corpo, uma conexão maior do pensamento com a vida e propõe, como na vida, um desenvolvimento do projeto distante da dualidade processo/trabalho final. As formas de exposição (de saída formal e estética) do  Projeto NUNES se revelam a partir do seu desenrolar e das relações de inter-subjetividade por ele despertadas.

Duas formas de pensamento de duas outras pessoas se incluem nesse momento no projeto: as relações do trabalho fotográfico de Filipe Barrocas e do trabalho de ilustração de Vânia Medeiros com o NUNES.


No Projeto NUNES, a documentação, seja pelo meio fotográfico ou através da ilustração, procura abolir a conotação espaço-temporal histórica do ato de documentação. Ou seja, essa documentação, ao revelar a construção da performance sobre o corpo cotidiano (do NUNES), não só se dá na medida em que se desenvolve o projeto mas é parte integrante e primordial deste.
 
Projeto NUNES se lança na direção contrária ao fenômeno de edificação de interfaces nas relações entre sujeitos e busca um contato mais direto com o estado das coisas.

Conheça o Nunes: