O quarto diminui à medida que me vou encontrando nele, especialmente quando estou no seu interior.
Primeiro sinto-me como se estivesse a ser observado, sensação que rapidamente suprimo por saber que me encontro sozinho no seu interior, sinto frio. Em seguida apercebo-me que são as paredes que me acompanham, atentas, inclinam-se, rastejando até mim. Aproximam-se silenciosamente, descarregam o seu peso em mim deslocando-se graciosamente pelo espaço.
Devolvo a atenção mas não sou correspondido, só preciso estar atento para ter a certeza, fixo o olhar e nada, mas a sensação permanece. Quando desvio o olhar da parede da janela percebo que a parede da porta não se encontra no mesmo local, tenho a certeza, o armário não estava embutido. Tenho de estar atento.
Vou fechar os olhos e ouvir com atenção, impossível algo tão pesado mover-se tão silenciosamente.
A janela está mais pequena, já mal consigo observar a copa das árvores da calçada e o conjunto nacional. Sinto o corpo a tremer de frio. Procuro fechar a janela e aquecer-me com a manta mas o vão transformou-se num único plano fixo, imóvel, penetra na parede.
Filipe dos Santos Barrocas . 27 . 04 . 2011 . Buenos Aires
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